quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Programa “Jornalismo em Foco” aborda o tema das Fake News


     O tema Fake News foi destaque no Programa “Jornalismo em Foco”, da Rádio Feevale. O professor de Jornalismo da Universidade Feevale, Marcos Emilio Santuário, o professor de Direito da Universidade Feevale, André Rafael Weyermuller, e a jornalista e pesquisadora Tais Seibt, também coordenadora do projeto Filtro, idealizado pela ONG Pensamento.Org. falaram sobre o assunto, apontando peculiaridades sob vários aspectos.

     O quanto as Fake News podem impactar a nossa vida? E o Jornalismo? As leis existentes estão acompanhando essa rapidez? O que fazer quando se tem uma Fake News publicada nas redes? Como evitar a propagação das Fake News? Essas e outras perguntas foram respondidas pelos três entrevistados.


As Fake News atingem a credibilidade do Jornalismo

Para o professor do curso de Jornalismo da Feevale, Marcos Santuário, embora a denominação seja recente, o conceito e as ideias são antigas. “Notícias falsas não são propriedade desta década e desse momento. Isso já existe há muito tempo. A conceituação veio com a nossa era da pós verdade, uma época em que a arte da mentira está abalando todas as fundações da democracia”, comenta.
Segundo Santuário, o jornalismo só perde com as Fake News, pois elas atingem o cerne do jornalismo que é a sua credibilidade. “Quando uma Fake News se dissemina ela acaba com a credibilidade do jornalismo e dos jornalistas. Os maiores produtores de Fake News são dois grupos: o daqueles incompetentes que não vão à essência da técnica jornalística de apuração dos fatos à exaustão e também aquele grupo que o faz intencionalmente movido por interesse políticos, econômicos ou os mais diversos. Para eles a apuração das Fake News é o seu trabalho a cada momento”, disse o professor. Para combater as notícias falsas, Santuário afirma que é preciso ir à essência: “Primeiro pela checagem daquelas informações, daqueles conteúdos que são divulgados, e também buscando a credibilidade desses propagadores de informações. Não espalhar informações que não sejam checadas antes e expurgar informações de fontes duvidosas. Aí é um trabalho muito árduo de quem realmente se preocupa com a verdade em todos os sentidos”, finaliza. 


                      Existem mecanismos legais contra as Fake News?


André Rafael Weyermuller, professor de Direito da Feevale, ao comentar sobre o aspecto legal das Fake News nas eleições e os mecanismos legais que existem contra as notícias falsas, explica que dentro da perspectiva da responsabilidade civil, qualquer notícia falsa ou caluniosa que possa colocar uma pessoa em uma situação de constrangimento, pode ser demandada com ação própria. Como exemplo, cita os danos morais por uma situação que foi provocada por alguém. “Porém, quando se trata de fake news, a gente amplia esse debate para uma questão mais complexa, que foge um pouco dessa situação individual, pois, nesta época agora de eleições, de campanhas eleitorais, essas situações falsas podem criar um grave prejuízo para uma pessoa que está pleiteando algum cargo público na eleição, e por este motivo, existe uma grande preocupação do Tribunal Eleitoral, em relação a ações que possam contribuir a essa prática das notícias falsas”, esclarece o professor.
     Weyermuller refere que as notícias falsas ganham proporções em diferentes momentos. “Essa situação de notícias falsas também não é apenas privilégio dessa época de campanha eleitoral. Observando a história, se verifica em vários momentos tanto aqui no Brasil como em outros lugares, sobretudo nos momentos mais complicados da história, se vê muitas situações onde se criaram notícias falsas sobre pessoas, sobre fatos, a fim de justificar uma posição política ou atitudes de estado, que muitas vezes causou grandes tragédias”. Ele ressalta diversos contextos históricos que envolveram as Fake News: “Se a gente pensar na época de pré construção do nazismo na Alemanha foi muito utilizado as notícias falsas, muitas vezes veiculadas pelos jornais, para disseminar ideias totalmente falsas sobre as coisas e sobre a realidade, sobre grupos para justificar depois, na opinião pública, certas atitudes ilegais que prejudicaram severamente as pessoas nos seus direitos e depois acabou descambando numa questão muito mais grave, de segregação, extermínio e total perca da humanidade”.
     O professor comenta sobre a forma como o Judiciário tenta coibir este tipo de atividade. “A atuação do Judiciário para coibir esse tipo de coisa passa pela constatação, pela denúncia e depois para as medidas judiciais que possam determinar a exclusão de determinados conteúdos de alguns sites. Mas na prática a disseminação de notícias pela internet dificilmente consegue ser revertida, uma vez que esses tipos de notícias falsas ou essas calúnias, são passadas de uma pessoa para outra numa velocidade muito grande. Fica muito difícil conseguir alcançar tudo isso, apagar completamente isso que foi feito”.
    O amparo jurídico que pode ser pedido por quem sofre com uma Fake News publicada sobre si é apontado pelo professor: “Por mais que seja difícil de identificar a origem de notícias ou fatos colocados na internet em alguns casos é possível fazer isso, principalmente se a pessoa prejudicada movimenta as suas estruturas, os seus colaboradores para fazer uma busca dessa origem e responsabilizar uma pessoa específica. Então, não que não se tenha como reprimir, mas há uma dificuldade muito grande por causa do dinamismo da rede”, complementa Weyermuller.


"A verificação é o que diferencia o jornalismo de outros discursos que se vê por aí."


     A jornalista e pesquisadora Taís Seibt coordena o projeto Filtro, idealizado pela ONG Pensamento.Org que tem por objetivo tornar a disputa eleitoral no Rio Grande do Sul mais justa. Ela e mais dois colegas vão se dedicar, até o final do pleito, a fazer checagens diárias nas informações publicadas por candidatos e contra eles por seus opositores ou até mesmo por robôs.
“Esse projeto foi formatado a partir de estudos que realizei na minha pesquisa de doutorado, em fase de conclusão, a partir de experiências pioneiras de fact-checking no Brasil, que já estavam em atuação desde 2014/15. Elaborei esse projeto e levei para a ONG Pensamento e a gente implantou esse trabalho de checagem sistemática, que é a primeira experiência especifica de checagem, embora existam outras experiências pontuais em períodos eleitorais, como no Zero Hora, por exemplo. Mas como especializado em checagem, o Filtro é a pioneira. Isso muito nos orgulha, e ainda mais por termos sido agregados à rede do Truco nos estados, sendo o projeto Truco um desses pioneiros, um projeto de agência pública, que está fazendo verificações em sete estados, além das verificações nos discursos de candidatos à presidência”, conta Taís.
     A pesquisadora fala de que modo o Fact-checking recupera o trabalho que já era essencial do jornalismo, que é a verificação. “A verificação é o que diferencia o jornalismo de outros discursos que se vê por aí. Ainda mais nesse período em que há tantos discursos circulando em tantas mídias e de tantas fontes diferentes. Então, a veracidade dessas fontes acaba sendo questionada, e o jornalismo tem uma série de protocolos que já são da sua prática tradicional, que são recuperados com essa prática de checagem, e agrega outros conhecimentos de pesquisas e dados, conhecimentos de reportagem assistida por computador. Isso faz com o que o jornalismo recupere uma posição social de relevância no debate político que acabava se perdendo nos últimos anos, com essa disputa por audiência. Muitas vezes o jornalismo atenuou suas convicções em relação a interesse público, para atrair um maior público, as matérias que a gente chama de caça clics que se tornaram recorrente na internet e que acabaram colaborando com esse fenômeno de Fake News, porque o funcionamento das redes sociais, se a gente levar em conta o Facebook que remunera os posts mais compartilhados, mais curtidos, mais comentados, isso acabou incentivando cada vez mais uma cultura com conteúdo questionável, não vou dizer que todos são mentirosas, muitos são verdadeiros. O fact checking ajuda a trazer de volta o interesse público para o jornalismo”.  


Algumas Fake News que marcaram as redes sociais

·       ➤➤ Após o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Mariele Franco, inúmeras teorias surgiram na internet sobre possíveis ações da parlamentar carioca em defesa dos traficantes. Todas elas falsas.

·          ➤➤  Ainda no universo da política, a eleição presidencial nos Estados Unidos, em 2016, foi marcada por escândalos e acusações entre Donald Trump e Hillary Clinton. O republicano venceu, mas ainda existem desconfianças sobre a utilização de notícias falsas para que ele se beneficiasse. Segundo o jornal Washington Post, a propagação de boatos por parte da campanha de Trump contra Hillary ajudou a elegê-lo como presidente da maior potência mundial.

·        ➤➤ Mudando de área, mas circulam informações nas redes sociais envolvendo famosos. Entre elas, de que o cantor norte-americano Jay Z teria pago 40 milhões de dólares para ter os diretos de uma música inédita do músico Prince. Já o empresário britânico Richard Bransos teria oferecido 800 milhões de dólares ao Led Zeppelin para uma turnê de 35 shows. Obviamente, tudo isso era falso.




quinta-feira, 9 de agosto de 2018

FAKE NEWS E SEUS IMPACTOS NA COMUNICAÇÃO

Segundo o site “Significados” o termo Fake News corresponde a “notícias falsas”. O significado se refere a notícias ou informações falsas que são compartilhados como verdadeiros nas redes sociais e propagados de forma viral. Quanto mais dramático, apelativo ou polêmico o conteúdo da falsa notícia, mais ela tende a se espalhar e atrair a atenção de maior número de pessoas. Os falsos conteúdos podem ser utilizados para denegrir a imagem de alguém, para defender interesses de um determinado indivíduo ou grupo e também para criar falsos conceitos e opiniões.

 

Como identificar uma Fake News

Conforme a Revista Superinteressante, há algumas maneiras de identificar uma Fake News. Passar adiante informações que não são verdadeiras podem levar pessoas a cair na armadilha de compartilhar conteúdos falsos e com isso causar prejuízos a outras pessoas.

Confira algumas dicas para não cair na armadilha de propagar Fake News:
1 - Verifique se o site é verdadeiro
2 - A notícia tem data? É recente mesmo?
3 - A notícia é assinada? Por quem?
4- Desconfie de notícias bombásticas;
5- Não confie em links compartilhados nas redes sociais. Vá à página oficial do site, clique na área de “pesquisar no site” e digite palavras-chaves da notícia.